NORDESTE

Ceará começa a usar hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus

Isso não quer dizer, porém, que qualquer pessoa pode ou deve tentar adquirir as medicações.

22/03/2020 - 14:03

Seguindo uma tendência mundial, Hospitais do Ceará começaram a utilizar, ainda de forma incipiente, medicamentos com as substâncias hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento de pacientes internados com o diagnóstico da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Isso não quer dizer, porém, que qualquer pessoa pode ou deve tentar adquirir as medicações.

O momento é de cautela, sobretudo, pelos efeitos colaterais e escassez do produto, que já é aplicado no tratamento de outras doenças, como destacou o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Anastácio Queiroz.

Em entrevista ao Sistema Verdes Mares, o especialista afirmou que os resultados preliminares têm sido positivos e animadores, mas é preciso que a população haja com muito cuidado. “Qualquer medicação que tenha uma ação, é esperança. Mas é importante enfatizar que não existe um tratamento para todo mundo. Qualquer medicamento existe aquele grupo que não vai responder bem. E é preciso também utilizar esses medicamentos com certo cuidado, porque são medicamentos que têm efeitos colaterais”, explicou.

Ele disse ainda que, dificilmente, a curto prazo, haverá uma outra medicação. “Essa vem sendo estudada há muito tempo, e realmente mostrou efetividade. Claro que não foram tantos pacientes, e quando se usa qualquer medicação em muita gente, vai ver efeitos negativos que antes não foram observados. Então, eu sou favorável ao uso, mas sou favorável que os pacientes em uso sejam bem avaliados do ponto de vista geral e, especialmente, do ponto de vista cardíaco”, complementou.

Anastácio ressaltou também que os medicamentos só poderão ser adquiridos nas farmácias por quem tenha comprovação da necessidade por receita médica, e que a população não deve agir de forma impulsiva. Caso contrário, haverá más consequências. “O que recomendaria é que todo uso do medicamento, havendo indicação, avalie os pacientes para que, realmente, eles possam ter o benefício, e não só os riscos. Num momento de muita angústia, as pessoas vão querer realmente tratar a infecção. Acredito que muitos pacientes se enquadram na indicação do tratamento, mas tem que usar com muita prudência e uma avaliação prévia qualificada. Mas, de qualquer modo, é uma esperança”.


Fonte: Diário do Nordeste 

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